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Trovadorismo I

Em termos didáticos, podemos conceituar o Trovadorismo como a primeira escola literária da língua portuguesa, permanecendo como principal expressão da poesia medieval desde o século XI até o século XIV. O Trovadorismo teve sua origem no Sul da França, na região de Provença, e por isso é chamado de poesia provençal.

O termo Trovadorismo é derivado da palavra “trovador” que era como se denominavam os poetas em Portugal, correspondendo também ao termo “troubadour” que por sua vez era a forma provençal de designar os poetas no Sul da França. Já no Norte da França a palavra utilizada para o mesmo fim é “trouvère” cujo radical “trouver” é igual ao radical do termo anterior e significa “achar”. Portanto, o trovador era aquele que “achava a música” adequada para o poema, já que a poesia trovadoresca deveria necessariamente possuir acompanhamento musical. 


Contexto histórico

Para entender o Trovadorismo, precisamos nos recordar de alguns aspectos da sociedade medieval e verificar como sua estrutura e seus valores moldaram as características da escola literária em questão. Em suas aulas de História você deve ter ouvido falar em como a sociedade medieval era dividida em três estamentos: a nobreza, o clero e a plebe, sendo que cada um deles deveria cumprir um papel específico ordenado por Deus, isso segundo a explicação da Igreja. Aos nobres (bellatores) cabia a função de lutar, o clero (oratores) deveria orar e a plebe (laboratores) tinha o dever de trabalhar. Era uma sociedade onde prevalecia o teocentrismo e o Deus descrito pela tradição católica seria o centro e justificativa de todas as coisas.

Nesse universo controlado ideologicamente pela igreja, tínhamos uma sociedade feudal onde o camponês estava preso à terra em que trabalhava e o nobre, ou senhor, construía fortalezas e liderava cavalarias para proteger seu feudo ou atacar outros. Em muitas ocasiões, um senhor se aliava a outros senhores no intuito de juntarem suas forças, sendo que um deles oferecia um “feudo” - que poderia significar varias coisas além de um lote de terras, como por exemplo, ferramentas para trabalho, a construção de uma ponte, o casamento com uma filha, etc - em troca de ajuda militar. O senhor que oferecia o feudo era chamado de suserano e o senhor que deveria prestar serviços militares era chamado de vassalo. O nome dessa relação entre nobres ficou conhecido como vassalagem. Não esqueça, portanto, que a vassalagem era uma relação que se dava entre nobres e nada tem a ver com a hierarquia entre senhores e camponeses.

Os ideais de cavalaria e a literatura medieval

Na medida em que a nobreza feudal enxerga no belicismo a sua principal razão de ser, a literatura medieval produzida no seio dessa nobreza acaba expressando os valores da vida militar, ou seja, o ideal cavalheiresco. Esse tipo de ideal era composto por valores religiosos e aristocráticos que permearam as novelas de cavalaria e a poesia trovadoresca.

As novelas de cavalaria valorizam as virtudes morais e os feitos épicos dos nobres guerreiros além de expressar os valores de austeridade e incorruptibilidade do cristianismo. De origem inglesa e francesa, as novelas de cavalaria entraram em Portugal no século XIII, durante o reinado de Afonso III. Em sua origem, essas novelas medievais eram canções poéticas que exaltavam temas guerreiros. Aos poucos, deixaram de ser cantadas para serem lidas e suas histórias passaram a ser contadas em prosa e não mais em poesia. Essas novelas de tema cavaleiresco foram convencionalmente divididas em três ciclos:

* ciclo bretão ou arturiano, com a história dos cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur sendo a mais famosa;

* ciclo carolíngio, que narra os feitos de Carlos Magno e os Doze Pares da França;

* ciclo clássico, com novelas sob a temática greco-latina.

No entanto, em se tratando de literatura portuguesa, essa divisão não possui grande importância, pois essas novelas foram apenas traduzidas para o português e em sua maior parte não reproduziam nada a respeito de Portugal, tendo relevância substancial apenas para ingleses e franceses, embora tivessem grande influência nas cortes portuguesas.

Trovadorismo galego-português

É na poesia trovadoresca que vamos encontrar a grande expressão do lirismo português medieval. Em se tratando de literatura portuguesa, acrescentamos ao Trovadorismo o termo “galego-português”, isso porque durante a Idade Média havia uma unidade lingüística entre Portugal e a Galiza. A Galiza era um reino situado ao norte de Portugal cuja região hoje pertence à Espanha e onde ainda se fala o galego, um idioma muito semelhante ao português.

A poesia trovadoresca galego-portuguesa pode ser dividida em lírico-amorosa e satírica. A primeira subdivide-se em cantiga de amor e cantiga de amigo e a segunda pode ser dividida em cantiga de escárnio e cantiga de maldizer.

O amor cortês


Nas cantigas medievais portuguesas encontramos as marcas da cultura e do momento histórico em que elas foram elaboradas. Nas cortes de Provença, a partir de onde se irradiaria o tipo de poesia trovadoresca que influenciou os portugueses medievais, surgiu uma espécie de cultura voltada para aspectos mundanos do amor, valorizando a sensualidade da mulher. Na poesia dos trovadores, o amor passava a ser tratado como o centro da vida. Não obstante a isso, esse tipo de amor deveria obedecer a um complexo conjunto de regras que caracterizavam os jogos amorosos dentro do ambiente cortês. Nesse sentido, a expressão amor cortês passa a significar esse tipo de relação submetida a certas regras preexistentes.

O amor cortês subverte a ordem estabelecida e inverte as relações consideradas naturais entre homem e mulher. Se na vida real, o marido domina completamente a esposa, no jogo amoroso, o homem se torna servo da dama, aceita todos os seus caprichos, submete-se às provas que ela decide impor-lhe, semelhantemente aos ritos de passagem nos graus de cavalaria. Fala-se assim do amor vassalagem, onde o trovador serve a dama que se torna sua suserana, dominando o coração do homem que a ama. Para exprimir seu amor, o trovador se utiliza da mesura (senso de medida, ponderação) evitando assim que a reputação da dama seja prejudicada já que ela é muitas vezes mulher casada. A dama cortejada geralmente é descrita como o ser mais perfeito tendo sublimada sua beleza e sensualidade na forma de amor platônico, pois a experiência acaba não fazendo parte dessa relação que fica em permanente estado de contemplação

Os intérpretes do Trovadorismo galego português

* Trovador – Possuía origem nobre e, além de cantar, o trovador era compositor de músicas e poesias. Reis, nobres e clérigos podiam pertencer a essa classe.

* Jogral – Esses artistas não possuíam origem nobre e cantavam e reproduziam as poesias dos trovadores, embora às vezes compusessem suas próprias obras. Sobrevivendo de sua arte, os jograis em suas exibições eram acompanhados de soldadeiras e eram considerados o importante meio de transmissão cultural nas comunidades já que na Idade Média a cultura oral se sobrepunha à cultura escrita.

* Soldadeira – Recebiam pagamento para executar o trabalho de cantoras ou dançarinas e eram frequentemente acusadas de praticar a prostituição.

* Segrel – Possuía uma função semelhante a do jogral, sabendo executar obras alheias e cantar e compor suas próprias poesias, porém, possuía origem nobre ainda que fosse um fidalgo de baixa estirpe e decadente. Andava de côrte em côrte como cavaleiro-trovador e andarilho profissional.

6 comentários:

Anônimo disse...

muito legalllll!!!!!!!!

Anônimo disse...

interessante contexto historico;legal

Anônimo disse...

a iteratura é realmente fascinante :)
fernanda sedenho*

Graziella Senna de Souza disse...

vcs me ajudaram muito a compreender,tenho prova de leiteratura amanhã!
bjocas

Anônimo disse...

arrasoooooooooooooooooooooou :)

Anônimo disse...

Meu professor, André é um fera em Literatura
tudo que ele nos explicou, está aqui.

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