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A economia brasileira no final do século XX


No início dos anos 80, sob o reflexo do segundo choque do petróleo, o Brasil se via as voltas mais uma vez com o problema do balanço de pagamentos. As taxas internacionais de juros subiam, complicando ainda mais a situação. A obtenção de empréstimos era cada vez mais difícil e os prazos para pagamento se estreitavam. A sonhada experiência de crescimento com controle inflacionário durou pouco e sob pressão dos credores externos o então ministro do planejamento, Delfim Neto, optou por frear o crescimento em fins de 1980. A expansão de moeda foi severamente limitada, os investimentos das empresas estatais foram cortados, as taxas de juros internos subiram e o investimento privado também declinou. A subseqüente recessão de 1981-1983 teve entre suas conseqüências o aumento do desemprego e o declínio da renda.

Em 1983 o Brasil recorre ao FMI acatando sua receita em troca de uma modesta ajuda financeira, numa tentativa de restaurar a credibilidade internacional do país que deveria melhorar suas contas externas mantendo-se o serviço da dívida. Internamente, previam-se cortes de despesas e a compressão ainda maior dos salários. A partir de 1984 a economia se reativou, puxada principalmente pelo crescimento das exportações e a queda do preço do petróleo fez com que esse não pesasse tanto no conjunto das exportações, embora a inflação continuasse subindo. Após o processo de abertura política, quando Sarney assumiu o governo, em 1985, o quadro era menos grave do que em anos anteriores. O grande impulso das exportações permitira a retomada do crescimento e o saldo positivo da balança comercial permitia pagar os juros da dívida. Mas o problema da dívida externa e interna subsistia a longo prazo, assim como a inflação.

No início de 1986, Sarney anunciou ao país o Plano Cruzado. O cruzeiro seria substituído por uma nova moeda forte – o cruzado – na proporção de 1000 por 1. A indexação foi abolida e os preços e a taxa de câmbio foram congelados por prazo indeterminado e os aluguéis, por um ano. Reajustou-se o salário mínimo pelo valor médio dos últimos seis meses, mais um abono de 8%. Os reajustes posteriores seriam automáticos sempre que a inflação chegasse a 20%, sendo que empregadores e empregados poderiam negociar livremente aumentos adicionais de salário, desde que não fossem repassados aos preços.

Passado o primeiro impacto de entusiasmo, o Plano Cruzado começou a naufragar. Ele fora lançado em um momento de expansão das atividades econômicas e resultou em muitos casos em aumentos reais de salário. Como os preços estavam congelados, houve uma verdadeira corrida ao consumo, desde a carne e o leite até os automóveis e as viagens ao exterior. Em conseqüência, começou a surgir o ágio, uma quantia cobrada “por fora”, acima do preço de tabela. Em julho de 1986, com o objetivo de reduzir o consumo e incentivar os investimentos, Sarney anunciou um pacote de medidas conhecido como “cruzadinho”. Ele atingia principalmente o consumo da classe média, pois instituía um empréstimo compulsório na compra de carros, de gasolina e álcool, de dólares para viagem e passagens aéreas ao exterior. Outro problema sério era o do desequilíbrio das contas externas provocado por um impulso nas importações. Quando em novembro se realizavam eleições, o Plano Cruzado já havia fracassado, mas isso ainda não era perceptível para o grande público. Passadas as eleições, os aumentos adiados de tarifas públicas e dos impostos indiretos contribuíram para que a inflação explodisse. A crise das contas externas levou o Brasil a declarar uma moratória em fevereiro de 1987. À euforia do Plano Cruzado seguia-se um clima de decepção e de desconfiança por parte da população quanto aos rumos da economia.

No final da década de 1980, formulações elaboradas por um grupo de intelectuais foram sistematizadas por John Willianson, do Institute for International Economics, a serviço de  instituições financeiras e do governo dos Estados Unidos. Essas formulações, que ficaram conhecidas como “Consenso de Washington”, deram origem ao modismo da subordinação do Estado ao Mercado. A idéia geral do consenso era a de que os recursos das instituições financeiras destinadas aos países em desenvolvimento estavam sendo desperdiçados. Sem resolver suas crises, muitos países, para desespero das instituições, estavam se tornando inadimplentes. Para evitar o agravamento desses problemas, tornou-se necessário que os destinatários desses recursos se sujeitassem a algumas regras. Essas regras se resumiriam, em linhas gerais, à disciplina fiscal, redução dos gastos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direto, com eliminação das restrições, privatização das estatais, desregulação – afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas – e garantia do direito de propriedade.

Desde 1989, os EUA haviam passado a defender o processo de securitização da dívida externa, que consistia na emissão de títulos da dívida de países devedores, negociados normalmente no mercado internacional como outros papéis, com garantia do Tesouro norte-americano. Esse processo atingiu sua maturidade em 1994, durante o governo Itamar Franco. A progressiva queda das taxas de juros no mercado internacional fazia com que as transferências de capital do Brasil para os bancos credores diminuíssem sensivelmente, já que diminuíam os valores do compromissos da dívida externa. A economia voltou a crescer, atingindo, em 1994, uma taxa de quase 5% anuais, o melhor resultado desde o início dos anos 1980, excetuando-se 1986, o ano do Plano Cruzado.

Em 28 de fevereiro de 1994, o governo anunciou o Plano Real, em mais uma tentativa de combater a inflação. Na realidade, a instituição de uma nova moeda era  a última etapa de um grande programa de estabilização da economia, que estava sendo posto em prática desde dezembro de 1993 por uma equipe de economistas da PUC do Rio de Janeiro, tendo à frente o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Pelas novas regras monetárias, o real seria uma moeda forte e para isso contava com o fim da indexação, ou seja, o fim do repasse automático da inflação mensal para os salários, prestações, aluguéis e contratos em geral. Além disso, a nova moeda estava vinculada ao dólar. De fato, o plano previa que a emissão de novos reais seria possível somente se existisse um volume equivalente de dólares nos cofres do Banco Central. Ao mesmo tempo mantinha-se o câmbio elevado: um dólar equivaleria a 90 centavos de real, taxa que lentamente subiu para 1/1.

A manutenção de uma taxa de câmbio equilibrada era garantida pelo Banco Central: quando a demanda por dólares crescesse no país (para o pagamento da dívida externa, por exemplo), ameaçando desvalorizar o real, o BC interviria no mercado de câmbio, vendendo grande quantidade de dólares e forçando a queda em seu valor. O funcionamento do plano dependia, portanto, da existência de grande reserva de dólares nas mãos do governo, o que acontecia desde o início do plano, graças aos saldos favoráveis da balança comercial e ai abrandamento da crise da dívida.

Apesar do êxito imediato do Plano Real, seu prosseguimento dependia da manutenção das reservas em dólares e isso somente seria possível pela permanência de elevadas taxas de juros no país. Dessa forma, o capital internacional, circulando cada vez mais rapidamente e livre de obstáculo no contexto da globalização econômica, seria atraído para o país, como de fato ocorreu.

A especulação financeira cresceu enormemente, colocando em risco a valorização monetária nacional, e muitos passaram a considerar esse elemento o aspecto mais frágil do plano. Esse desafio foi enfrentado em 1994, quando uma forte desvalorização da moeda mexicana provocou um súbito afastamento do capital especulativo não só daquele país, como também de outros latino-americanos, como Brasil e Argentina, quase levando suas economias à ruína. Por outro lado, o Plano Real promovia uma nova rodada de abertura da economia às importações, ainda de acordo com os princípios do neoliberalismo. O governo defendia a abertura econômica como forma de baixar a inflação e aumentar a eficiência da indústria nacional.

A curto prazo, a abertura econômica foi realizada e a queda na inflação foi real, embora o aumento da eficiência da indústria brasileira tenha ocorrido apenas de forma localizada. Maiores foram os efeitos negativos de tal política na indústria nacional. As falências começaram a se multiplicar e o desemprego aumentou. Paralelamente, a manutenção de elevadas taxas de juros no país inviabilizava a sobrevivência de empresas em dificuldades, acelerando ainda mais o processo de falências e desemprego. A situação recessiva forçava uma queda ainda maior da inflação, que o governo alardeava como prova do “sucesso espetacular” do plano.

3 comentários:

Anônimo disse...

os livros sao muinto resumidos e essa pagina ai ta muinto boa para meu gosto xD

Anônimo disse...

Adoreeeeei tudo bem explicadinho kkkkk') I love Brazil ;D

Anônimo disse...

é ta massa tudo mastigado so nao entende quem é burro kkkkkkkkk add o meu msn leandroalves1971@hotmail.com

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