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Expansionismo: algumas comparações


Nos dias de hoje parece não haver mais fronteiras a serem atravessadas pelo homem no âmbito terrestre. Quando se pensa em expansão geográfica modernamente, falamos mais em encurtar as distâncias através de aumento na velocidade das telecomunicações entre regiões distantes do globo do que em viagens através do meio físico. Para esse tipo de viagem, os únicos sonhos desbravadores que sobraram são os de ir até a Lua ou até Marte, por exemplo. Até mesmo no campo militar já existem os exércitos virtuais que atacam redes de outros países através de hackers oficiais. Isso é tão sério que blackouts já podem ser causados por hackers a serviço de um país distante (ou não tão distante). As formas e motivações para o expansionismo geográfico são múltiplas, independentemente se o meio é físico ou virtual.

Mas houve um tempo em que as comunicações foram muito mais lentas e a conquista de novos espaços algo extremamente difícil. Tanto é que alguns grandes impérios da história se deram ao luxo de se fechar em seu próprio território sem tornar o expansionismo uma obsessão enquanto outros só puderam sobreviver enquanto o ímpeto expansionista permanecia vivo. E pequenos territórios se tornaram potências comerciais e políticas importantes ao longo da história porque se lançaram ao mar como forma de resolver suas necessidades internas. Sim, houve um tempo em que o mar e não o espaço sideral era a fonte dos maiores desafios ao expansionismo no meio físico. Podemos comparar a ficção científica de hoje com as lendas de monstros marinhos que faziam parte da fantasia das mentes humanas há alguns séculos. Não podemos esquecer que os termos cosmonauta e astronauta são extensões do “nauta”, isto é, navegante.
Vamos fazer uma comparação colocando a história a serviço da geografia traçando um pequeno paralelo entre Fenícios, Portugueses, Egípcios e Espanhóis no que se refere à ausência ou presença de expansionismo geográfico através do mar. Dois povos da antiguidade e dois povos modernos. Parece algo meio estranho colocar lado a lado povos tão distantes no tempo e no espaço, mas é um exercício didaticamente interessante e que nos ajuda a construir pontes de informação, algo muito importante no processo de aprendizado.

Fenícios e Portugueses

No contexto das grandes viagens e descobertas geográficas, o povo fenício destaca-se com uma trajetória fortemente ligada a conquista marinha. Num primeiro momento, os fenícios dependiam da pesca e da agricultura, mas a produção de alimento em uma terra pouco fértil se tornou escassa em relação ao crescimento populacional constante. Para superar isso, os fenícios passaram a desenvolver outras atividades, como o artesanato e o comércio. Para escoar a produção e obter as matérias-prima que necessitavam, os fenícios impulsionaram o comércio marítimo que passou a ser a sua principal atividade econômica. O comércio marítimo era de tamanha importância para eles ao ponto de as informações sobre rotas de comércio e construção naval serem guardadas como segredos de estado. No intuito de expandir e consolidar suas relações comerciais, o povo fenício estabeleceu inúmeras colônias ao redor do Mediterrâneo. Cartago foi a mais importante destas colônias e chegou a disputar a hegemonia do Mediterrâneo com Roma durante os séculos III e II a.C.

Podemos traçar um paralelo entre o desenvolvimento da história naval fenícia com os elementos que caracterizaram a expansão marítima portuguesa. Sabemos que no contexto da expansão marítima européia no século XV, Portugal pode tomar a dianteira graças a uma série de fatores. Os mais importantes foram a precoce centralização política do reino português, uma posição geográfica favorável a saída pelo mar, a rápida formação de uma burguesia comercial e uma dinastia que apostava na expansão comercial através da navegação. Assim como a antiga Fenícia, o pequeno território português não poderia assentar suas bases econômicas apenas na agricultura, tornando-se vital o comércio marítimo e a formação de colônias ou feitorias na costa africana voltada para o Atlântico. Assim como fizeram os fenícios, as rotas marítimas foram tratadas pelos portugueses como razão de Estado e os mapas foram estrategicamente guardados em segredo. Especula-se que até a viagem de Cabral em direção às Índias, mas que culminou no descobrimento do Brasil, não tenha ocorrido acidentalmente e que os portugueses já tinham conhecimento prévio da existência das terras brasileiras.

Egípcios e Espanhóis

O Egito antigo, ao que parece, não sentiu grande necessidade de se lançar ao mar, já que possuía um extenso território com uma economia auto-suficiente baseada na agricultura em torno do Rio Nilo. As poucas viagens realizadas pelos egípcios e suas rotas, foram documentadas e utilizadas apenas como “propaganda” de Estado, uma vez que o comércio marítimo não era vital para sua economia, apenas fornecendo produtos supérfluos. Além disso, o Egito estava voltado para seus problemas internos, como a questão da unidade territorial que se arrastou durante séculos, marcando a maior parte de sua história. Nesse sentido, essa condição se assemelha bastante aos fatores que levaram os espanhóis a se atrasarem em relação aos portugueses no que se refere à expansão marítima, pois no final do século XV os espanhóis ainda não haviam consolidado sua unidade territorial. Os espanhóis careciam de uma centralização política que só veio a ocorrer em 1469 com o casamento de Fernando e Isabel. Outro problema interno que consumiu a atenção dos espanhóis foi a Guerra de Reconquista contra os mouros que perdurou séculos e só terminou em 1492 com a conquista de Granada.

3 comentários:

Alberth disse...

vcs deveriam usar mais imagens, separar mais os textos e tentar deixa-los mais curtos para melhor acompanhamento dos leitores, sempre artigos com imagens descansam mais a vista. Usem slides entre outros recursos, seria bem melhor pra quem acompanha

Anônimo disse...

Realmente, muito texto dá preguiça, nem li e já ia mudar a página só de ver o tamanho dos textos.

Anônimo disse...

mto bom texto. adoro leitura ela aumenta os horizontes.

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