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Classe e estrutura das palavras


As palavras são constituídas por pequenas unidades sonoras que chamamos de fonemas. Cada palavra tem, portanto, certo número de fonemas. Em “cor”, há três: /c/ /o/ /r/, e em “ruas”, há quatro: /r/ /u/ /a/ /s/. Essas unidades de som não possuem, no entanto, um conteúdo significativo, ou seja, não têm sentido se isoladas. Mas há unidades de som e conteúdo ainda menores que as palavras, a essas damos o nome de morfemas. Vejamos o exemplo “ruas”: o primeiro elemento, “rua”, pode ser usado isoladamente, servindo também para formar outras palavras (arruaça, arruamento); o segundo elemento, “s”, apesar de não poder ser usado isoladamente, pode aparecer no final de muitas outras palavras (céus, véus, carros) e também possui uma unidade significativa, pois indica a pluralidade. Portanto, morfemas são pequenas unidades menores que as palavras que apresentam um conteúdo significativo, sendo que alguns não têm significado próprio, não podendo ser usadas isoladamente.

Os morfemas que possuem significado isolado, formando por si só um vocábulo, são chamados de morfemas livres, já os que não têm existência autônoma, aparecendo sempre ligado a um morfema anterior, são chamados de morfemas presos.

Quanto à natureza da significação os morfemas podem ser classificados em morfemas lexicais ou morfemas gramaticais. Os lexicais são os que têm significação externa, referindo-se a fatos do mundo extralingüístico, exemplo: o sentido incutido na palavra “rua” tem a haver com um conhecimento de mundo do falante, que o permite relacionar o som /r/ /u/ /a/ com o seu significado: via pública para circulação urbana. Já os gramaticais têm significação interna, pois derivam das relações e categorias levadas em conta pela língua, como é ocaso do artigo “o”, das preposições “sob” e “de”, da marca de feminino “-a” e da marca de plural em “-s”, nos versos de Florbela Espanca: “Évora! Ruas ermas sob os céus/ Cor de violetas roxas...”.

Morfemas e classes de palavras:

São morfemas lexicais: substantivos, adjetivos, verbos e advérbios de modo.
São morfemas gramaticais: artigos, pronomes, numerais, preposições, conjunções, demais advérbios e as formas indicadoras de número, gênero, tempo e modo.

As classes de palavras podem ser variáveis, quando permitirem que se combinem a elas morfemas gramaticais (substantivos, adjetivos, artigos e certos numerais e pronomes), e invariáveis, que não permitem que se lhes agregue uma desinência (advérbios, preposições, conjunções e certos pronomes).

* A interjeição está excluída dessa classificação, visto que é considerada um vocábulo-frase.

COMO SE ESTRUTURAM AS PALAVRAS

RADICAL: o que chamamos de morfema lexical é tradicionalmente denominado radical. Ele é a base comum de uma família de palavras. Exemplo: sapato, sapataria, sapateiro, sapatão. Ao radical podem ser agregados os morfemas gramaticais, que podem ser uma desinência, um afixo ou uma vogal temática.

DESINÊNCIA: são elementos que indicam as flexões dos vocábulos. Podem ser nominais, indicando nos nomes as flexões de gênero e número (meninO, meninA, bonitoS), ou verbais, indicando nos verbos as flexões de modo, tempo, pessoa e número (modo e tempo: faláVAmos, esperáSSEmos; pessoa e número: falávaMOS, vendesteS).

*A ausência da desinência também é significativa. O singular, por exemplo, caracteriza-se pela ausência do morfema “-s”, sendo chamado por isso de desinência ou morfema zero.

AFIXOS: também chamados de morfemas derivacionais, são elementos que se acrescentam antes ou depois do radical modificando o sentido deste. Quando colocados antes do radical, são chamados prefixos (DESorganizar, ANTEver, EMpobrecer) e, quando veem depois do radical, são chamados sufixos (desorgaIZAR, casaMENTO, terrOSO, terrEIRO).

VOGAL TEMÁTICA: são elementos que indicam, nos verbos, a conjugação a que pertencem. Vejamos o verbo renovamos. Podemos distinguir nele três elementos formativos: o radical “nov-”, a desinência de número e pessoa “-mos” e o prefixo “re-”. Ficou de fora de nossa decomposição a vogal “a”. Reparem que ela também aparece na forma infinitiva do verbo, “renovar” (re + nov + r), bem como no infinitivo dos verbos “cantar” (cant + r), “falar” (fal + r,) “andar” (and + r). Como se vê, a vogal “a” está indicando que estes verbos pertencem à 1ª conjugação (“ar”). As vogais temáticas são, portanto, “a”, “e” e “i”, indicando, respectivamente, a 1ª, 2ª e 3ª conjugações. Ao conjunto de uma vogal temática + um radical denominamos TEMA. Ex: cantar: radical cant + vogal temática a = TEMA canta.

VOGAL E CONSOANTE DE LIGAÇÃO: são elementos sem valor significativo que se interpõem aos vocábulos para evitar dissonâncias, facilitando a pronúncia das palavras, tornando-as eufônicas (de som agradável). A palavra “cafeteira”, por exemplo, é formada pelo radical café- + o sufixo –eira e, entre eles, aparece a consoante -t- para evitar o som desagradável -éê-..

Um comentário:

Jessica disse...

Eu adoro esse site!!!!!!!!

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