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Barroco

"A Queda de Féton" (1604/1605), de Peter Raul Rubens


Como vocês sabem, a literatura, como toda arte, reflete o homem e seu tempo, refratando as angústias, anseios, dúvidas e crenças de um dado momento histórico. Para entender as tortuosas linhas traçadas pelos artistas do Barroco é necessário que recordemos um pouco dos fatos que os levaram a explorar tão notadamente as antíteses e os paradoxos.

Vimos, nos tópicos anteriores, que o Humanismo foi um período de transição entre a visão teocêntrica da idade média e o antropocentrismo da visão renascentista, preparando terreno para o surgimento do Renascimento (ou Classicismo), que se consagrou por atribuir o conhecimento ao homem e à ciência em detrimento das explicações religiosas. O homem se tornara o senhor da terra, mares, ciência e arte. Essa libertação alcança, ainda, o terreno religioso, pois, com a Reforma Protestante, o homem passa a ser o senhor de sua fé, já que, tendo contato direto com a bíblia, por meio das diversas traduções realizadas durante a Reforma, as interpretações do texto sagrado deixam de ser intermediadas pelo clérigo católico.

É claro que a Igreja Católica não gostou muito dessa mudança, já que acabou perdendo um pouco de espaço e poder. Foi aí que os maiores representantes do catolicismo se reuniram em um concílio na cidade de Trento para traçar estratégias de defesa e de recuperação do espaço perdido. Entre tais medidas, ficou estabelecido o retorno do Tribunal do Santo Ofício (inquisição) e o incentivo à catequese dos povos do mundo recém descoberto, o que inclui a criação da famosa Companhia de Jesus.


É neste contexto de dualismo e contradições, dividido entre o racionalismo clássico e o misticismo religioso, que surge o Barroco. Há estudiosos que consideram este movimento como “a arte da Contrarreforma”, visto que suas características básicas serviram aos desígnios doutrinários e pedagógicos da Igreja Católica.

Surgindo na Itália, a estética barroca espalhou-se pela Europa e também pelo continente americano (levado pelas missões jesuíticas), florescendo no final do século XVI até meados do século XVIII, sendo seu ápice no século XVII.

Para o crítico Massaud Moisés (A literatura portuguesa, 2008, p. 111), “o Barroco procurou conciliar numa síntese utópica a visão do mundo medieval, de base teocêntrica, e a ideologia clássica, renascentista, pagã, terrena, antropocêntrica. [...] Em resumo, punha-se todo o empenho em conciliar o claro e o escuro, a matéria e o espírito, a luz e a sombra, visando a anular, pela unificação, a dualidade do ser humano, dividido entre os apelos do corpo e os da alma”.

Em relação ao Renascimento, o Barroco busca superar todo o seu equilíbrio e rigor simétrico, as pinturas e esculturas são marcadas por formas retorcidas e tensas, enquanto que na linguagem essas características são representadas por inversões sintáticas, antítese e paradoxos. O racionalismo clássico perde espaço para uma arte mais emotiva, cheia de conflitos. As cenas são flagradas em movimento e no seu momento mais dramático, como podemos notar na pintura de Rubens, mais acima.

A tela é composta de forma assimétrica, em diagonal, contrariando a característica da pintura clássica de manter o eixo da pintura, o ponto para o qual todos os olhares convergem, no centro da tela. O contraste entre claro-escuro e o efeito de super dimensionar o primeiro plano da figura, trazendo-o para mais perto do espectador, acentuam a sensação de profundidade.

Sobre a arte barroca, pode-se dizer também, que ela é, de certa forma, realista, pois tira seus personagens das diversas camadas sociais. Na linguagem, temos o constante emprego das figuras de linguagem, vocabulário requintado e a palavra sendo usada como jogo. Os temas religiosos são bastante explorados, já que o Barroco busca retomar o espírito religioso e místico da Idade Média, mas não da mesma maneira,  visto que após o Renascimento o homem passa a ter consciência de si e de seu valor. Outros temas desenvolvidos foram os mitológicos e a concepção divina do rei, já que o período é o da aliança entre o rei e a burguesia para a formação os Estados Absolutistas. 


3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom.

Anônimo disse...

Interessante a história do barroco, muito bom.

Anônimo disse...

este site e maravilhoso

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