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Modelo atômico I


Leucipo e Demócrito
Antes de verificarmos as características do modelo atômico aceito pela comunidade científica nos dias atuais, vamos fazer um breve passeio pela história do átomo e entender como este conceito evoluiu ao longo do tempo. Dificilmente se faz uma viagem na história da ciência sem dar primeiramente uma passadinha na Grécia antiga e é para lá que vamos nos dirigir agora.
Podemos dizer que a idéia de átomo surgiu inicialmente entre os gregos há pelo menos 25 séculos atrás. Mas não podemos nos enganar: o conceito de átomo que circulou no mundo grego antigo não tem muito a ver com o quê entendemos por átomo hoje em dia. A moderna física das partículas elementares pertence ao universo da ciência pós-Galileu. Já o atomismo de Leucipo e Demócrito, dois pensadores gregos pré-Socráticos, está ligado ao nascimento filosofia grega.
Muito antes do surgimento da ciência moderna e bem antes do método científico se tornar o meio pelo qual se elabora teorias que explicam o funcionamento da natureza, os primeiros filósofos gregos buscavam respostas para perguntinhas “fáceis” do tipo: “Qual o princípio de todas as coisas.” É claro que uma pergunta como essa faz tremer até os mais brilhantes dos cientistas atuais, mas os gregos estavam fazendo filosofia e não ciência, e acabaram formulando respostas bem interessantes.
Para Tales de Mileto (624-546 a.C) o princípio (“arché”) de todas as coisas seria a água, pois ele teria havia constatado que a vida só era possível onde houvesse o elemento água. Já Anaximandro de Mileto (610-546 a.C), discípulo de Tales, acreditava que o princípio deveria ser algo indefinido e infinito, que pudesse se expressar diferentemente qualitativamente e quantitativamente. A isso ele deu o nome de ápeiron. Anaxímenes de Mileto (570-500 a.C), discípulo de Anaximandro, discordou de seus antecessores e defendeu que o princípio na verdade era o ar, que governava e sustentava o universo, gerando e transformando todas as coisas.

Essa realidade originária buscada pelos primeiros filósofos foi denominada physis (que significa “natureza”) e conseqüentemente os filósofos que seguiram essa busca pelo fundamento de todas as coisas iniciada por Tales, foram chamados de físicos. Esses “físicos” (que eram filósofos e não cientistas como os físicos modernos, embora ainda haja físicos que fazem filosofia) continuaram por muito tempo essa busca pelo “princípio” e novas respostas foram surgindo. Xenófanes (570-460 a.C) acreditava que a terra era o elemento fundamental da natureza. Heráclito (540-480 a.C), e sua filosofia acerca da eterna transformação, dizia que o elemento essencial ao universo era o fogo. Empédocles (490-430 a.C) formularia a idéia dos quatro elementos (ar, terra, fogo e ar) que dariam origem a todas as coisas. Muitas outras respostas acerca do princípio de todas as coisas seriam dadas pelos pensadores gregos, e entre elas, viria a idéia de que o universo é constituído por átomos.
Os atomistas. Assim eram chamados os membros dessa escola filosófica que tornou dizível ou indivisível. Credita-se a Leucipo (490 – 420 a.C) e Demócrito (460-370 a.C) a descoberta do conceito de átomo. Oriundo de Mileto, Leucipo migrou para Eléia, na Itália, onde conheceu a doutrina eleática que dizia que o “ser” era o princípio de todas as coisas. De Eléia migrou para Abdera onde fundou a escola atomista e encontrou Demócrito, seu mais proeminente discípulo. Os atomistas afirmavam que o nascer era um “agregar-se das coisas que existem” e o morrer era um “separar-se” das mesmas. E essas coisas que “agregam-se” e “separam-se” (que são imaginados como o princípio, a realidade originária) seriam um número infinito de corpos invisíveis por conta do pequeno tamanho e volume.
Esses corpos seriam indivisíveis e por isso chamados á-tomos (átomo em grego significa “o não divisível”). Repare que “tomo” significa uma das diversas partes de um todo. As coleções antigas de livros geralmente eram divididas em “tomos”. O prefixo grego “á” nesse caso nega a existência de “tomos”, isto é, nega a existência de “partes”. Esse átomo pensado pelos gregos não é o mesmo átomo concebido pela ciência moderna. Para os filósofos atomistas, os átomos não diferenciavam-se entre si em substância, mas sim em forma. Segundo eles, os átomos variavam em figura, ordem e posição, sendo que essas propriedades poderiam variar infinitamente, dando origem a tudo o que existe. Os átomos que seriam o “ser” deveriam mover-se no vazio que seria o “não ser”. O princípio de todas as coisas seria então átomo, vazio e movimento.
A idéia de átomo, sem dúvida é uma das maiores criações do pensamento grego. Outros grandes nomes da filosofia, defenderiam a idéia do átomo como sendo o princípio de toda a realidade. O grego Epicuro (341-270 a.C) e o romano Lucrécio (95-55 a.C) defenderiam ardorosamente o atomismo. Lucrécio acreditava que até objetos da metafísica como a mente e alma seriam formados por átomos. Perceba que até aqui não adentramos no campo da ciência. A idéia do átomo como objeto de especulação filosófica da metafísica permaneceria até o século XIX, quando nasce o atomismo científico.

6 comentários:

ilsosilva disse...

adorei o material de ligaçoes

Anônimo disse...

muito bom

Renata biersack disse...

Adorei, a explicação esta otima

Renata biersack disse...

adorei, a explicação está ótima.

Minhas Exp. disse...

"Empédocles (490-430 a.C) formularia a idéia dos quatro elementos (ar, terra, fogo e ar)" <<< água quis dizer, certo? quinto parágrafo
adorei o blog por falar nisso ^^

Anônimo disse...

PERFEITA,AMEI....
MUITO SHOW...

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