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Arcadismo

Fêtes Galantes”, de Antoine Watteau


Contexto histórico - Arcadismo: O Século das Luzes

O Arcadismo, ou Neoclassicismo, marca a retomada do equilíbrio clássico, rompido durante o Barroco. O momento de grandes transformações, vivido pela Europa na segunda metade do século XVIII, levou o homem a superar seus conflitos espirituais, substituindo a fé e a religião pela razão e pela ciência.
A emblemática Revolução Francesa (1789) marcou o início de um novo tempo na história da humanidade. As ideias iluministas disseminaram-se pelo mundo, divulgando a filosofia do culto das ciências, da Razão e do progresso. O ensino religioso, jesuítico e medieval, perdeu espaço e as escolas tornaram-se laicas.
Nas ciências, surgem a Física de Newton, a Química de Lavoisier, a Biologia de Bueton e Lineu, a Psicologia de Locke, sem falar em Rousseau (com sua teoria do homem natural e do bom selvagem), Montesquieu (com a divisão tripartida do poder: Executivo, Legislativo e Judiciário) e Voltaire (que ataca, em suas Cartas Filosóficas, as instituições do clero e da monarquia de direito divino).
Como se vê, são muitas as transformações nesse período. Politicamente, a aristocracia perde espaço e poder para a burguesia. O tempo, diferentemente da época barroca, é de otimismo e confiança no homem e na ciência como caminho para se chegar a todas as verdades. É também nesse período que se desenvolve o conhecimento enciclopédico, com Diderot.

Características do Arcadismo:

O termo “arcadismo” foi inspirado na Arcádia, nome de uma região montanhosa da Grécia tida pelos poetas antigos como morada dos pastores. O mito da Arcádia é retomado pelo Arcadismo como símbolo do lugar ideal para se viver. A reação aos exageros barrocos levou os poetas do período a idealizarem um lugar onde encontrariam o equilíbrio e a tranqüilidade da vida em contato com a natureza, agradável e pura.
Vê-se, então, que os poetas árcades inspiraram-se nos modelos clássicos, motivo que justifica o outro nome dado a este período: Neoclassicismo (novo classicismo). A idéia de paraíso vinculada à vida bucólica (no campo) levou os poetas a adotarem pseudônimos pastoris, nas muitas das vezes, inspirados na mitologia clássica.
O princípio dos ideais árcades era a busca pela simplicidade perdida. O rebuscamento e virtuosismo da linguagem barroca perdem espaço para a concepção de uma linguagem simples, leve, sem sofisticação, sem muitas figuras de sintaxe, com períodos na ordem direta, clareza e racionalidade. Defendiam a separação dos gêneros, abolição das rimas e os metros simples.
Os poetas árcades praticavam, ainda, o fingimento poético, que consistia em adotar pseudônimos pastoris e imaginarem-se vivendo em meio à natureza, num mundo utópico habitado por ninfas e deuses, em um tempo fictício. Diante da industrialização e progresso da vida urbana, os poetas árcades tomavam a direção contrária, optando por uma espécie de exílio voluntário. A arte árcade representava, por isso, uma ideia regressiva em relação ao ideal de progresso iluminista.

Temas clássicos desenvolvidos pelos poetas árcades:

Inutilia truncat (“cortar o inútil”): rejeição aos exageros verbais do Barroco. Para os neoclássicos, a literatura devia ser simples, para ser entendida;

Fugere urbem (“evitar a cidade”): fuga da cidade, considerada lugar de mal-estar e corrupção, para o campo. Desprezo do luxo e das riquezas e exaltação da vida campestre, simples, serena.

Aurea mediocritas (“dourada mediania”): culto à racionalidade filosófica e científica. Exaltação da humildade e virtude. Os heróis árcades não se caracterizam pela riqueza ou poder, mas pela simplicidade e felicidade de pastores anônimos.

Locus amoenus (“lugar ameno”): a Natureza como um cenário aprazível. No Arcadismo essa Natureza é retratada de maneira artificial, imitada dos clássicos, servindo de moldura aos devaneios dos poetas-pastores.

Carpe diem (“aproveita o dia”): inspirado em Horácio, este tema defende o aproveitar cada momento da vida, já que o tempo é fugaz e a vida breve.

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