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Cláudio Manuel da Costa


Poeta mineiro, estudou com os jesuítas em Mariana e formou-se em direito em Portugal. Sua cultura humanística, sua sobriedade de caráter, sua formação literária e italiana, bem como seu talento em versejar, compuseram, para Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2004, p. 61), o perfil do poeta árcade por excelência.
Sua obra se divide entre produções escritas na metrópole e composições produzidas na colônia. Entre as primeiras, escritas em Coimbra entre 1751 e 1753, estão: Munúsculo Métrico, Epicédio em Memória de Frei Gaspar da Encarnação, Labirinto de Amor, Culto Métrico e Números Harmônicos.
Nestas obras, o poeta ainda demonstra estar sob influência do cultismo barroco, característica que pode ser corroborada pela recorrência das metáforas, hipérboles e inversões sintáticas (hipérbatos). Por outro lado, Cláudio Manuel da Costa condena esse tipo de poesia, chamando a esses versos cultistas de “frase inchada”, como vemos nos versos transcritos abaixo:


“(...) a frase inchada,
Daquela que lá se usa entre essa gente
Que julga que diz muito e não diz nada.”


            No prólogo de suas Obras Poéticas (1768), o escritor mineiro escusa-se de sua obra da juventude em Portugal:


“... mas temendo (...) que me condenes o muito uso das metáforas, bastará, para te satisfazer, o lembrar-te que a maior parte destas Obras foram compostas ou em Coimbra ou pouco depois, nos meus primeiros anos; tempo em que Portugal apenas principiava a melhorar de gosto nas belas letras. É infelicidade que haja de confessar que vejo e aprovo o melhor, mas sigo o contrário na execução.”


            O “melhor” a que o poeta se refere é o Arcadismo (ou Neoclassicismo): o cenário bucólico, a simplicidade. Nesta fase de contágio pelas ideias da Arcádia, Cláudio Manuel toma como cenário de sua lírica o relevo acidentado de Minas Gerais. Os prados, rios, montes e vales, servem de palco e de comparação para os conflitos amorosos do poeta. Devido a isso, o crítico Antônio Cândido fala de uma poética que constantemente retorna à imagem da pedra, apontando Cláudio Manoel como o poeta mineiro mais preso às emoções e aos valores da terra.
            No Brasil, publicou Obras Poéticas, em 1768. Neste livro reuniu toda a sua produção lírica (sonetos, éclogas, epicédios, cantatas, entre outras). Também explorou, mas com menor êxito, a poesia narrativa nas obras Fábula do Ribeirão do Carmo e Vila Rica, poema épico clássico espelhado em Os Lusíadas. O motivo histórico deste foi a descoberta das minas e a fundação de Vila Rica (atual Ouro Preto), e o herói central foi o governador Antônio de Albuquerque Coelho.
            Como poeta bucólico tomou para si o pseudônimo Glauceste Satúrnio e de suas muitas musas a que mais aparece em seus versos é Nise. Destacou-se sobremaneira nos sonetos. Nestes, encontra-se uma visão platônica do amor, com a musa sempre tratada como ideal distante ou perdido. Para Bosi, isso se explica pelo conflito vivido na época entre a desnudada vida erótica dos antigos e a retração exigida pela ética medieval e contrarreformista.
            A obra de Cláudio Manuel da Costa oscila, ainda, entre o amor à Colônia e o apego à Metrópole, ora expressando profunda identidade com a natureza áspera, rochosa, de Minas, ora lamentando seu afastamento de Portugal. Tal tensão e conflito de desejos podem ser notados nos fragmentos selecionados de dois distintos sonetos transcritos abaixo:


“Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci! Oh quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!”

“Competir não pretendo
Contigo, ó cristalino
Tejo, que mansamente vais correndo:
Meu ingrato destino
Me nega a prateada majestade,
Que os muros banha da maior cidade.”


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