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Romantismo – Brasil

Início do Romantismo no Brasil: A publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, por Gonçalves de Magalhães, em 1836, foi considerada pela historiografia literária o marco inicial do Romantismo Brasileiro.

Término do Romantismo no Brasil: Seu fim, por sua vez, é marcado pelas publicações de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e de O Mulato, de Aluísio Azevedo, obras que inauguraram o Realismo e o Naturalismo, respectivamente.

• Diferentemente do contexto europeu, o Brasil, egresso do colonialismo, ainda era uma jovem (acabava de conquistar sua independência) nação agrária, tendo como características dessa economia o latifúndio, o escravismo e a economia de exportação. Sendo assim, ainda não havia se desenvolvido no Brasil o binômio urbano indústria/operário.

• Com a emancipação política do Brasil passa a surgir, na antiga colônia, o sentimento nacionalista, fruto de uma necessidade de auto-afirmação da pátria, que precisa se redescobrir, encontrando uma identidade própria. Pedro II deu grande apoio às pesquisas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (criado nos fins da Regência, em 1838) em busca do nosso passado, de uma história em comum que nos identificasse enquanto povo de uma mesma Nação. Os escritores valorizavam os temas nacionais, a cor local, o passado histórico, mítico e lendário. Segundo Alfredo Bosi (2006, p. 92) “O romance colonial de Alencar e a poesia indianista de Gonçalves Dias nascem da aspiração de fundar em um passado mítico a nobreza recente do país”.

• Na necessidade de se criar um passado heróico, uma tradição que sustentasse o entusiasmo nacionalista descobriu-se o índio, que substituiu nas literaturas americanas a figura do cavaleiro medieval da literatura europeia.

• Quem eram os românticos? Os intelectuais brasileiros do período romântico eram filhos de famílias abastadas do campo, que iam receber formação jurídica (quase nunca médica) em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro (Macedo, Alencar, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, Bernardo Guimarães, Franklin Távora, Pedro Luís), e filhos de comerciantes luso-brasileiros e de profissionais liberais (Pereira da Silva, Gonçalves Dias, Joaquim Norberto, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Sílvio Romero). Foram raros os casos, no romantismo, de escritores de origem humilde, como Teixeira e Sousa e Manuel Antônio de Almeida.

• Sobre o público a que se dirigiam os escritores do Romantismo, Bosi (2006, p. 128-129) afirma que “O romance romântico brasileiro dirigia-se a um público mais restrito do que o atual: eram moços e moças provindas das classes altas e, excepcionalmente, médias; eram os profissionais liberais da corte ou dispersos pelas províncias: eram, enfim, um tipo de leitor à procura de entretenimento”. Pra esses leitores, uma trama rica de acidentes bastava para um bom romance. Os nossos narradores iam aclimando à paisagem e ao meio nacional os esquemas de surpresa e de fim feliz dos modelos europeus. As exigências mais fortes desses leitores eram “reencontrar a própria e convencional realidade e projetar-se como herói e heroína em peripécias com que não se depara a média dos mortais”.

Poesia romântica:

• 1.ª Geração (indianista ou nacionalista): Valorização da natureza e da figura do índio como heroi nacional, medievalismo, volta ao passado histórico, religiosidade. Principais escritores: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Araújo Porto Alegre.

• 2.ª Geração (mal-do-século, individualismo, ultra-romantismo): Exagero na exposição dos sentimentos, pessimismo, tédio, morte, egocentrismo, negativismo boêmio. Principais escritores: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire.

• 3.ª Geração (condoreira, social, libertária): Geração que apresenta tendências do Realismo, por introduzir uma literatura mais voltada para os problemas regionais, políticos e sociais. Essa geração sofreu intensamente a influência de Victor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana. O termo condoreirismo é consequência do símbolo de liberdade adotado pelos jovens românticos: o condor, águia que habita o alto da cordilheira dos Andes. Representada por: Castro Alves, Tobias Barreto, Sousândrade.

Ficção romântica

Características gerais: maniqueísmo; detalhes de costumes e de cor local; comunhão entre a natureza e os sentimentos das personagens; elevação de sentimentos e nobreza de caracteres (triunfo do bem, intenção moralizante); linearidade das personagens (estereotipadas, previsíveis); complicação sentimental (final feliz retardado por situações adversas).

• Romance urbano: Fotografa com fidelidade os ambientes, cenas, costumes e tipos humanos extraídos da burguesia, sobretudo do Rio de Janeiro. Volta-se para a caracterização exterior das personagens: atos, gestos, palavras, diálogos, roupas, etc. Destacam-se nessa vertente: José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida.

• Romance histórico: Volta-se para o passado histórico remoto, a fim de idealizá-lo, ou para o passado lendário. Contudo, essa volta ao passado não possui pretensões analíticas, pois ela se restringe apenas a reproduzir o clima da época, seus hábitos, costumes e instituições. Destacam-se: José de Alencar, Bernardo Guimarães, Franklin Távora.

• Romance regionalista: Explora as paisagens e costumes de regiões do interior brasileiro, tais como o Nordeste, o Sertão de Minas e de Goiás, o Pantanal Mato-Grossense, os Pampas Gaúchos. Destacam-se: José de Alencar, Taunay, Bernardo Guimarães.

• Romance indianista: Diretamente relacionado ao romance histórico, visava à construção de um heroi mítico nacional na figura do índio, tomado como símbolo e elemento formador da nacionalidade. Principal representante: José de Alencar.

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