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Romantismo

O romantismo, mais do que uma revolução literária, marcou uma mudança na maneira de se olhar para os problemas da vida e do pensamento. Esse movimento, que repercutiu desde a segunda metade do século XVIII até a segunda metade do século XIX, é fruto de uma revolução histórico-cultural que abrangeu “a filosofia, as artes, as ciências, as religiões, a moral, a política, os costumes, as relações sociais e familiares, etc.” (Massaud Moisés, 2008, p. 169). Vejamos, resumidamente, quais foram essas transformações:

• Revolução Industrial;

• Burguesia em ascensão;

• Definem-se as classes: a nobreza, a grande e a pequena burguesia, o velho campesinato, o operariado crescente;

• Diminuição do poder das oligarquias reinantes em favor das monarquias constitucionais ou das repúblicas federativas;

• Aparecimento do Liberalismo em política, moral, arte, etc.

• A aristocracia de sangue aos poucos sede espaço na pirâmide social à burguesia, invertendo os papéis e estabelecendo uma nova escala de valores, marcada pela posse do dinheiro e não mais pelo famoso “sangue azul”. “Segundo a interpretação de Karl Mannheim, o Romantismo expressa os sentimentos dos descontentes com as novas estruturas: a nobreza, que já caiu, e a pequena burguesia que ainda não subiu: de onde, as atitudes saudosistas ou reivindicatórias que pontuam todo o movimento” (Bosi, 2006, p. 91).

• Domínio amplo das formas burguesas de viver e pensar;

• Profissionalização do escritor: ser escritor torna-se uma profissão remunerada (desaparecem os mecenas), e a relação com o público muda. O escritor produz, e o leitor paga para consumir.

Temas literários:

• Revolta contra as regras, modelos e normas neoclássicas em defesa da total liberdade da arte. Os românticos propagam a “impureza” dos gêneros literários, misturando-os;

• Em lugar do equilíbrio clássico, preferem o caos;

• Substituição da visão macroscópica da arte, ou seja, do universalismo clássico, por uma visão microscópica, centrada no “eu”. Daí o subjetivismo e individualismo que contamina a arte romântica. Nas palavras do crítico Massaud Moisés, “à semelhança de Narciso, o romântico contempla a si próprio, como se estivesse permanentemente voltado para um espelho real ou imaginário, e faz-se espetáculo de si próprio” (2008, p.169). Sendo assim, a realidade é captada pelo romântico por meio de seu prisma pessoal;

• Ao culto da Razão, os românticos opõem a emoção, as razões do coração, substituindo o racionalismo pelo sentimentalismo;

• A insatisfação com o mundo é uma das constantes dos artistas românticos. Idealizadores, não se adaptavam à realidade, rebelando-se contra ela, por meio de atitudes revolucionárias, ou buscando a fuga, num escapismo que se projetou de diversas formas: morbidez, desejo de morrer, vida boemia, culto da solidão, gosto pelo passado, lugares exóticos e longínquos;

• Imerso no seu caos interior, o romântico desenvolve os sentimentos de melancolia e tristeza. O tédio repetido conduzia-o à angústia e ao desespero: é o chamado “mal do século”;

• Em seu escapismo, o romântico recorre, assim como os árcades, à Natureza. Porém, no Arcadismo, ela é apenas decorativa, enquanto que no Romantismo ela é expressiva, individualizada, personificada, atuando como reflexo do estado de espírito do “eu” do poeta, pois este a toma como confidente e consoladora de suas amarguras. Nos escritores românticos “o universo fictício constitui prolongamento do seu ego” (Massaud Moisés, 2008, p. 171), sendo, portanto, a Natureza deformada pelas suas emoções;

• O gosto pelo passado, por ruínas, povos estranhos, restos de civilizações, medievalismo, lugares exóticos, é também aspecto do escapismo romântico. Descontentes com seu próprio tempo, os românticos buscam no passado os valores, costumes, pureza, lirismo, espiritualismo, etc., que julgam perdidos para sempre na sociedade em que vivem.

• Os escritores românticos também são responsáveis por reinventar o heroi, “que assume dimensões titânicas (Shelley, Wagner) sendo afinal reduzido a cantor da própria solidão (Foscolo, Vigny)” (Bosi, 2006, p. 95).

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