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Pontuação II

3. Emprego da vírgula entre orações coordenadas

a) Separam-se, por meio da vírgula, as orações coordenadas assindéticas. Exemplo: Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar.

b) Usa-se a vírgula para separar as orações coordenadas sindéticas, exceto quando introduzidas pelas conjunções “e” e “nem”. Exemplo: A beleza empolga a vista, mas o mérito conquista a alma./ Ou eles tocavam, ou jogávamos os três./ Não almoçou nem jantou.

*Obs.: Separam-se geralmente por vírgula as orações coordenadas unidas pela conjunção “e”, quando estas têm sujeitos diferentes. Exemplo: Os soldados ganham as batalhas, e os generais recebem o crédito.

c) Usa-se vírgula com as locuções correlativas não só...mas também, não só...mas, não só...senão. Exemplo: Não só pediu, mas exigiu o documento.

d) “Mas” é a única conjunção adversativa que aparece obrigatoriamente no início da oração, as outras podem vir no início ou no fim dela. No primeiro caso, põe-se uma vírgula antes da conjunção, no segundo ela vem entre vírgulas. Exemplo: Ficarei com a casa, mas não posso pagar à vista./ Ficarei com a casa, porém não posso pagá-la à vista./ Ficarei com a casa; não posso, porém, pagá-la à vista.

*Obs.: É facultativo, dependendo da ênfase ou não, o emprego da vírgula depois de conjunções que principiem período. Não é aconselhável, no entanto, o uso das conjunções “contudo”, “porém” e “todavia” em início de período. Depois de “mas”, nesse caso, não use a vírgula. Exemplo: “Nunca vi disco-voador. Logo, não acredito neles” OU “Nunca vi disco-voador. Logo não acredito neles”./ “Diga o que quiser. Mas seja rápido”.

e) Usa-se o ponto-e-vírgula para separar orações coordenadas adversativas e conclusivas com conectivo deslocado. Exemplo: Ficarei com a casa; não posso, porém, pagá-la à vista./ Vencemos; não fiquem, portanto, assim tão tristes.

*Obs.: 1. Mesmo quando o conectivo inicia a oração coordenada, se o desejo é acentuar a oposição ou a conclusão, usa-se o ponto-e-vírgula. Exemplo: Vencemos; não fique, portanto, assim tão triste.
2. O uso do ponto-e-vírgula pode ocorrer também entre orações assindéticas que tenham nítido valor adversativo ou conclusivo. Exemplo: Os livros são raros; é preciso conservá-los com cuidado.
3. O ponto-e-vírgula permite organizar blocos de orações coordenadas que estabelecem contraste. Exemplo: Uns avançam os sinais vermelhos, oprimem os pedestres nas faixas de segurança, estacionam em fila dupla e ostentam pose de bons cidadãos; outros nascem na miséria, crescem nas ruas, vendem goma de mascar nas esquinas e acabam recebendo destaque nas reportagens policiais.

4. Emprego da vírgula entre orações subordinadas

a) Substantivas: A pontuação dos períodos compostos em que surgem orações subordinadas substantivas segue os mesmos princípios que se adotam no período simples para as funções sintáticas a que essas orações equivalem. Assim, a vírgula NÃO deve separar da oração principal as orações subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais e predicativas. O mesmo critério se aplica para o predicativo nos predicativos nominais. Exemplo: É preciso que venham logo.

*Obs.: 1. As orações substantivas só vêm separadas por vírgula quando antepostas à principal. Exemplo: Que venham logo, é preciso.
2. A oração subordinada substantiva apositiva deve ser separada da oração principal por vírgula ou por dois pontos, exatamente como ocorre com o aposto. Exemplo: Imponho-lhe apenas uma condição: que nunca me esconda nada.

b) Adjetivas: Usa-se a vírgula para isolar as orações adjetivas explicativas. Exemplo: Brasília, que é a capital do Brasil, foi fundada em 1960.

*Obs.: NÃO se usa a vírgula antes de oração subordinada adjetiva restritiva. Exemplo: Foi visitar o funcionário que estava doente.

c) Adverbiais: A pontuação dos períodos em que há orações subordinadas adverbiais obedece aos mesmos princípios observados em relação aos adjuntos adverbiais. Isso significa que a oração subordinada adverbial sempre pode ser separada da oração principal por vírgulas. Essa separação é optativa quando a oração subordinada está posposta à principal e é obrigatória quando a oração subordinada está intercalada ou anteposta. Exemplo: Tomará as providências quando chegar./ Tomará as providências, quando chegar./ Quando chegar, tomará as providências./ Tomará, quando chegar, as providências.

5. Orações reduzidas

Usa-se a vírgula para isolar orações reduzidas de gerúndio, de particípio e de infinitivo. Exemplo: Chegando o diretor, avise-me imediatamente./ Terminada a conferência, foi nos oferecido um jantar./ Deus, antes de ser homem, era sol sem sombra.

Outros sinais de pontuação:

1. Dois-pontos. Exemplo: Há várias espécies de instrumentos cortantes: faca, machado, foice, canivete, espada, etc.
2. Reticências. Exemplo: Se tu soubesses...
3. Travessão. Exemplo: - Tu prisioneiro, de novo?/ E eu falava-lhe de mil cousas diferentes – do último baile, da discussão das câmaras, berlindas e cavalos.
4. Ponto-e-vírgula. Exemplo: Buscavam-se desfazer-me o encanto; mas ficava-me a saudade.
5. Ponto final. Exemplo: Asno com fome, bugalhos come.
6. Ponto de interrogação. Exemplo: Por que não vieste ontem?
7. Ponto de exclamação. Exemplo: Que gentil estava a espanhola!
8. Aspas. Exemplo: Disse Pilatos: “O que escrevi, escrevi”./ Euclides da Cunha escreveu “Os Sertões”./ Vamos fazer um “pic-nic” hoje?

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