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Concordância Verbal I

Como vimos no tópico sobre concordância nominal, a marcação de plural na língua portuguesa é redundante, ou seja, é marcada mais de uma vez na frase. Portanto, assim como você aprendeu na concordância nominal, na concordância verbal o verbo deve sempre concordar com os termos a que se refere.

Regra geral: o raciocínio geral que você deve seguir para não errar na concordância verbal é o de que o verbo deve concordar com o sujeito, explicitado ou subtendido, em número e pessoa.

Ex.: As crianças brincaram até tarde.
A criança foi encontrada com vida.
Já terminaram a lição?

Em geral, isso é fácil. Mas há algumas construções em que a concordância verbal gera dúvidas. Vejamos, então, essas construções mais detalhadamente.

1. Verbo com um só sujeito

• Sujeito coletivo

O termo coletivo é plural na ideia, mas singular na forma. Por isso, o verbo deve ficar no singular, concordando com a palavra em si e não com a ideia que ela transmite. Ex.:
O pessoal já chegou.
O povo sabe o que quer.

Quando o termo coletivo vem acompanhado de substantivo no plural, o verbo pode ir tanto para o plural, concordando com o substantivo, quanto para o singular, concordando com o coletivo. Ex.:
Um bando de vândalos destruiu/destruíram o prédio.

• Expressão partitiva

Quando o sujeito é uma expressão partitiva (parte de, metade de, resto de, etc), o verbo pode ir tanto para o plural quanto para o singular. A escolha depende da ênfase desejada. Se o interesse é em destacar o conjunto como unidade, a opção é a de deixar o verbo no singular, mas se o que se quer é destacar os vários elementos, o verbo deve ir para o plural. Ex.:
A maior parte dos operários aderiu/aderiram à greve.
A maior parte das casas ainda não estava/estavam pronta(s).
Uma porção de notas promissórias está/estão vencida(s).

• Sujeito é um substantivo acompanhado das expressões “mais de”, “menos de”, “cerca de”, “perto de” ou expressões sinônimas.

O verbo concorda com o substantivo. Ex.:
Menos de cinco pessoas compareceram à reunião.
Mais de um soldado morreu na operação.
Cerca de oitenta quilômetros foram percorridos pelos competidores.

• Sujeito é um pronome relativo “QUE”

O verbo concorda em número e pessoa com o termo que antecede este pronome. Ex.:
Fui eu que pedi que voltasse.
Foram eles que quiseram ir embora.

Quando o “que” vem antecedido das expressões “um dos” ou “uma das”, o verbo vai para a 3ª pessoa do plural ou, mais raramente, para a 3ª pessoa do singular. Ex.:
Maria foi uma das raras alunas que tiraram dez na prova.
Uma das coisas que mais me impressionam é a falta de vergonha dos políticos.
Foi um dos poucos que reconheceu seu erro.

• Sujeito é um pronome relativo “QUEM”

O verbo fica preferencialmente na 3ª pessoa do singular, podendo também concordar com o antecedente. Ex.:
Fui eu quem comprou/comprei.
Fomo nós quem trouxe/trouxemos a carne.

• Sujeito é um pronome de tratamento

O verbo fica na 3ª pessoa do singular. Ex.:
Vossa Senhoria está de acordo?
Vossa Santidade virá para o Brasil no próximo mês.

• Sujeito é um nome próprio plural

Na presença do artigo, o verbo concorda com ele. Caso contrário o verbo fica no singular. Ex.:
Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma das principais obras de Machado de Assis.
Os Estados Unidos foram um dos países que polarizaram a chamada Guerra Fria.
O Amazonas nasce nos Andes.

• Sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido (qual, algum, nenhum, etc.) SINGULAR seguido de “de/dentre nós” ou “de/dentre vós”.

O verbo fica no singular. Ex.:
Nenhum de nós ganhou o prêmio.
Qual dentre vós virá conosco?

• Sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido (quais, alguns, muitos, poucos, etc.) PLURAL seguido de “de/dentre nós” ou “de/dentre vós”.

O verbo concorda com o “nós” ou com o “vós”. Ex.:
Quais dentre vós suportarias tamanha ofensa.
Muitos de nós perdemos tudo nas enchentes.

Este assunto continua no próximo tópico, no qual veremos a concordância verbal nas construções em que há mais de um sujeito. Confira!

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