Pesquisar este blog

Carregando...

Abolição da Escravidão

A abolição da escravidão é um processo lento, que esteve presente desde as primeiras décadas do século XIX, quando a Inglaterra já pressionava o Brasil para colocar fim ao sistema escravista. Para acompanharmos como se deu o processo de abolição da escravidão no Brasil um percurso interessante é acompanhar as diversas leis que foram decretadas acerca da questão na segunda metade do século XIX.

Em 4 de setembro de 1850, após muita insistência da Inglaterra, foi aprovada uma lei que proibia o tráfico de escravos para o Brasil. A lei ficou conhecida como lei Eusébio de Queirós, nome de um ministro de D. Pedro II que defendia que a extinção do tráfico devia ser uma decisão da política interna brasileira, e não para atender às exigências externas. Apesar de a partir desta lei o tráfico ser considerado algo ilegal, diversos estudos demonstram o quanto o tráfico neste período conheceu um aumento exponencial.

Na década de 1860, a abolição da escravidão começou a ser discutida na esfera pública. Nos anos de 1870, 62% dos escravos brasileiros residiam nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, em função do seu maior dinamismo econômico. O Brasil ainda era um dos poucos países da América a manter a escravidão e era fortemente pressionado pela Inglaterra para abolir o trabalho escravo. Em 1871, foi aprovado após muita discussão a Lei do Ventre Livre. Os estados nos quais residia a maior parte da população escrava, votaram contra, enquanto os estados do norte e nordeste votaram a favor. A lei do ventre livre determinava que os filhos de escravos nascidos a partir da data de sua aprovação, seriam livres. 

Na década de 1880, o debate em torno da abolição da escravidão era o principal tema nacional. Em diversas cidades do país eram fundadas sociedades abolicionistas, que serviam como instrumentos de pressão social, além de influenciar a opinião pública. Em 1883, foi criada a Confederação Abolicionista, entidade que unificou a luta pela abolição da escravidão em esfera nacional. Os escravos, como sempre, tiveram um papel ativo promovendo rebeliões e revoltas no interior, tornando a situação insustentável.

Em 1885, foi aprovada a Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagenários. A lei, aprovada como uma medida desesperada que procurava frear o avanço da abolição, determinava que os escravos maiores de sessenta anos estavam, a partir de então, livres. Tratava-se de uma lei sem aplicação: vivendo em condições extremas, os escravos dificilmente passavam dos 35 anos, chegar aos sessenta não era algo real.

Os donos de terras entraram em desespero quando os escravos, protegidos pelo movimento abolicionista, começavam a deixar as fazendas. Acionaram o exército para conter a situação, mas o exército considerou a tarefa indigna e se recusou a cumprir as ordens. Nem mais o exército sustentava a monarquia. Em 1888 foi assinada pela princesa Isabel a Lei Áurea, que declarava extinta a escravidão. Sem o seu principal sustentáculo, o trabalho escravo, o império chegava ao fim. No ano seguinte a república seria proclamada.

Apesar da abolição da escravidão, a diferença de tratamento e o preconceito racial continuaram e continuam ainda vivos na sociedade brasileira. Para entender melhor a herança que a escravidão deixou para a época atual, basta olhar qual a cor da população de menor renda no país, menor escolaridade e cujo acesso ao exercício da cidadania é mais difícil. 

Sugestão do Q.I.

O poeta Castro Alves dedicou parte de sua vida à causa da abolição da escravidão. Foi um membro ativo do movimento abolicionista e sua obra, além de rica no âmbito da literatura, é um verdadeiro testemunho do que pensava e como agiam aqueles que se colocaram contra a escravidão. Merece destaque o seu poema “Navio Negreiro”, que denuncia o sofrimento dos escravos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom, me ajudou bastante ! :)

Postar um comentário