Pesquisar este blog

Carregando...

Regência Verbal

Da mesma forma que a regência nominal, a regência verbal estuda as relações de dependência entre os termos da oração. Porém, agora veremos esta relação entre regentes verbos e os termos que os completam. Dessa forma, podemos dizer que regência verbal é o modo pelo qual o verbo se relaciona com seus complementos. 

Assim como vimos na regência nominal, que um nome pode admitir diferentes preposições, na regência verbal o verbo também poderá se comportar de distintas maneiras. Um mesmo verbo, por exemplo, pode se comportar como intransitivo, transitivo direto ou transitivo indireto (ex.: verbo “abdicar”). A forma assumida por esse verbo vai depender do sentido que se deseja empregar e é a partir dessa forma que saberemos como compor o complemento verbal, se com ou sem preposição e, no primeiro caso, qual preposição empregar.

DICA: Não se esqueça! As regras de ocorrência ou não de crase também dependem dos seus conhecimentos de regência verbal.

Abaixo fizemos uma relação da regência de alguns dos principais verbos, mas antes não deixe de assistir a este vídeo introdutório:


1. Abdicar = renunciar, decidir, ceder.

Pode ser intransitivo, transitivo direto ou transitivo indireto (prep. “de”).
V.I.: Dom Pedro I abdicou em 1831.
V.T.D.: A princesa abdicou o seu futuro título de rainha.
V.T.I.: Não abdicarei de meus direitos.

2. Agradar = acariciar, acarinhar (v.t.d.); ser agradável, satisfazer (v.t.i.).

V.T.D.: O pai agradou o filho.
V.T.I.: A medida do governo agradou ao povo.

3. Agradecer, pagar, perdoar.

Podem ser transitivos diretos (quando o objeto for coisa), transitivos indiretos (quando o objeto for pessoa) ou transitivos diretos e indiretos (quando se referem a coisas e pessoas ao mesmo tempo).
V.T.D.: Pagou a mercadoria./ Perdoou o atraso./ Agradeceu o presente.
V.T.I.: Pagou aos credores./ Perdoou à irmã./ Agradeceu ao convidado.
V.T.D.I.: Pagou a dívida aos credores./ Perdoei à minha irmã o atraso./ Agradeceu o presente ao convidado.

4. Aspirar = respirar, sorver (v.t.d.); desejar, pretender (v.t.i.).

V.T.D.: Aspirou muito gás carbônico.
V.T.I.: Os operários aspiram a um aumento salarial.

5. Assistir = ver (v.t.i.); prestar assistência, ajudar (v.t.d. ou v.t.i.); caber, pertencer (v.t.i.); morar (v.i. regendo prep. “em”).

V.T.I. (ver): Assistimos ao espetáculo.
V.T.D. ou V.T.I.: O médico assistiu o doente./ O médico assistiu ao doente.
V.T.I. (pertencer): Não lhe assiste o direito de protestar.
V.I.: Se for mesmo transferido, assistirá em Brasília.

6. Chamar = convidar, convocar (v.t.d.); invocar (v.t.i. com preposição “por”); dar qualidade (v.t.d. ou v.t.i.; o predicativo do objeto pode vir precedido da preposição “de” ou não).

V.T.D.: A senhora idosa chamou um menino para ajudá-la a subir com as compras.
V.T.I.: Chamei por você, mas quem veio foi outra atendente.
V.T.D. ou V.T.I.: Chamaram-no insolente./ Chamaram-no de insolente./ Chamaram-lhe insolente./ Chamaram-lhe de insolente.

7. Chegar, dirigir-se, ir.

Normalmente são verbos intrasitivos que regem a preposição “a” quando indicam lugar.
Cheguei ao teatro em cima da hora./ Dirigi-me ao banco./ Fui ao médico.

8. Esquecer, lembrar.

Quando virem acompanhados de pronomes, serão v.t.i com preposição “de”. Ex.: Lembrou-se (esqueceu-se) de comprar a sobremesa.
Sem pronomes serão v.t.d. Ex.: Esqueci a sobremesa na mesa da cozinha.

9. Implicar = acarretar (v.t.d.); ter implicância (v.t.i.); comprometer-se, envolver-se (v.t.d.i.).

V.T.D.: A mudança no projeto implica maiores gastos.
V.T.I.: O pai implicava muito com as filhas.
V.T.D.I.: Implicaram o advogado em negócios ilícitos.

10. Namorar.

O verbo “namorar” é transitivo direto, ou seja, não admite preposição. Ex.: Namoro Priscila.
*É inadequado, portanto, dizer: “Namoro com Priscila”.


11. Obedecer.

É transitivo indireto e exige complemento com preposição “a”.
Obedeceu à ordem.
Devemos obedecer aos pais.

12. Preferir.

É verbo tansitivo direto e indireto. Não permite qualquer expressão de intensidade, tais como: mais, menos, mil vezes, muito. Também não admite a posposição “de que” ou “do que”.
Prefiro vinho à cerveja.
Prefiro doce a salgado.

13. Proceder = dar início, realizar (v.t.i. com prep. “a”); derivar-se, originar-se (v.t.i. com prep. “de”); conduzir-se, ter fundamento (v.i.).

V.T.I. (“a”): Procederam à correção das provas.
V.T.I. (“de”): A língua portuguesa procede do latim.
V.I.: Sua versão dos fatos não procede.

14. Querer = gostar, querer bem (v.t.i.); desejar, pretender (v.t.d.).

V.T.I.: Quero bem aos meus familiares.
V.T.D.: Sempre quis ser médica.

15. Renunciar = abrir mão de (uso facultativo: v.t.d. ou v.t.i.).

Renunciou o cargo.
Renunciou ao cargo.

16. Simpatizar, antipatizar.

Ambos são transitivos indiretos e regem a preposição “com”.
Simpatizei com suas ideias.
*O verbo “simpatizar” não é pronominal, sendo inadequado, portanto, dizer: “simpatizei-me com ele”.

17. Suceder = ocorrer, acontecer (v.i.); vir depois, seguir-se (v.t.i.).

V.I.: Sucedeu que a sua ausência nos impediu de tomarmos as decisões necessárias.
V.T.I.: Dilma foi escolhida pelo povo para suceder ao presidente Lula.

18. Visar = dirigir a pontaria, apontar arma de fogo (v.t.d.); vistar, dar visto (v.t.d.); ter em vista, objetivar (v.t.i. com prep. “a”).

V.T.D. (apontar arma): Visei o alvo.
V.T.D. (vistar): As autoridades visaram os passaportes.
V.T.I.: Visava ao cargo mais alto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário