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Ciclo do açúcar I - Antecedentes

A fase da economia brasileira conhecida como ciclo do açúcar, tem suas motivações e seu sucesso explicados não por uma, mas por várias razões.

Com as constantes ameaças de piratas que rondavam a costa do Brasil, era preciso com urgência ocupar o território para tornar o Brasil menos suscetível às invasões. A economia do pau-brasil não cumpria está função, uma vez que os portugueses ficavam circunscritos apenas à costa e a penetração no interior cabia aos indígenas.

Durante a vigência do sistema de capitanias hereditárias, duas capitanias hereditárias, conforme já mencionado em "Capitanias Hereditárias", alcançaram êxito: Pernambuco e São Vicente. Ambas conseguiram esse feito devido à inserção do cultivo de cana-de-açúcar em seu interior.

A opção pela cana-de-açúcar não era algo novo. Os portugueses já dominavam as técnicas de cultivo desde o século XV, quando começaram a cultivar o produto nas recém conquistadas ilhas Atlânticas. Essa experiência fez com que os portugueses tivessem conhecimento de todo processo produtivo do açúcar: desde o plantio da cana e fabricação das máquinas dos engenhos até o armazenamento do açúcar.

É importante ressaltar que, no período, o açúcar era considerado um produto de luxo, o que fazia com que seu valor fosse alto. Assim, não foi difícil conseguir financiamento português e estrangeiro para garantir as condições para a produção de açúcar.

Além disso, a região litorânea do Brasil, especialmente no nordeste, possuía o solo de massapé, muito propício para o cultivo de cana-de-açúcar, o que garantiu um especial destaque para a produção na região de Pernambuco e da Bahia.

O solo era propício, o clima também e o cultivo e as técnicas eram conhecidas. Para se completar o elo produtivo do ciclo do açúcar era preciso garantir ainda a mão de obra. A maior parte dos indígenas residentes no Brasil ou havia se refugiado no interior ou estava sob proteção das missões jesuíticas. Transportar mão de obra livre para o Brasil elevaria muito o custo da produção, além de Portugal dispor de uma população insuficiente para ser empregada no Brasil.

A solução encontrada pelos portugueses foi importar mão de obra escrava da África. Também esta prática não era nova: os portugueses já conheciam a dinâmica do mercado africano de escravos, por serem responsáveis pelo abastecimento de mão de obra escrava de algumas regiões da Europa. Com alguns recursos, seria possível trazer a mão de obra escrava negra para trabalhar no plantio de cana de açúcar no Brasil.

Visto como foi possível implantar no Brasil o ciclo do açúcar, a próxima etapa é analisarmos como esta economia prosperou no Brasil, o tipo de sociedade por ela formada e as conseqüências fruto dessa opção.

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