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Ciclo do açúcar II – Economia

Já vimos os principais elementos que fizeram do açúcar o produto de maior relevância do Brasil. Agora vamos estudar como o ciclo do açúcar transformou a economia do Brasil no período colonial.

O ciclo do açúcar no Brasil se organizou a partir do sistema de plantation, o que equivale dizer que se tratava de uma produção realizada em latifúndios (grandes propriedades), monocultor (cultivava apenas um produto) e escravista. Apesar nas grandes propriedades freqüentemente também ser cultivada a mandioca, apenas o açúcar era negociado no mercado internacional, enquanto a mandioca correspondia a uma demanda do mercado interno.

O processo produtivo do açúcar é bastante completo e possuí várias etapas. O ciclo do açúcar, como veremos, é praticamente todo realizado dentro do engenho, como eram chamadas as fazendas que realizavam o ciclo do açúcar.

A primeira etapa da produção do açúcar corresponde ao plantio e a colheita da cana. Depois de colhida, era agrupada em feixes que eram levados da lavoura (espaço do engenho onde a cana era plantada) até a moenda.

A moenda era o espaço no qual a cana era moída mecanicamente e transformada em uma espécie de líquido muito doce e esverdeado, a popular garapa.

Passado pela moenda, o sumo era levado até a casa das caldeiras e depois para a casa de purgar. Nessa etapa do ciclo do açúcar, a garapa era cozida e apurada sob a supervisão do mestre do açúcar, geralmente um trabalhador livre responsável por perceber o ponto de cozimento adequado.
Na etapa posterior, realizada na casa de purgar, o açúcar era disposto em formas, que tinham a sua parte inferior perfurada para que o açúcar pudesse ser depurado. A parte exposta dessas formas era coberta com barro e permanecia nesse estágio por algum tempo. O açúcar era então desenformado, resultando em um enorme “pão de açúcar” como era chamado. Quanto mais próximo da parte inferior, aquela que escorria todo líquido a ser purgado, mais escuro e viscoso era o açúcar. Eram separadas as diversas partes do “pão”. As partes mais claras, que possuíam um maior valor comercial, eram encaixotadas e remetidas para a Holanda, onde passavam pelo processo final de refinamento, o que fazia com que seu preço subisse ainda mais no mercado europeu. Também a partir da própria Holanda, o açúcar era distribuído e comercializado.

É importante ressaltar que nem todos os fazendeiros possuíam capital suficiente para edificar em sua propriedade a moenda, a casa das caldeiras e a cada de purgar. Muitos proprietários dispunham apenas do espaço do plantio da cana. Então, para conseguirem realizar as demais etapas do ciclo do açúcar, eles utilizavam o engenho de outro proprietário que dispusesse do engenho completo. Em troca, o proprietário do engenho ficava com 50% do açúcar produzido.
Até agora, vimos no interior do engenho, o espaço onde se produz o açúcar. Contudo, o ciclo do açúcar além de transformar a economia imprimiu à sociedade colonial outra feição: a forma das pessoas morarem, se relacionarem e o seu papel desempenhado nesse novo cenário também mudou. Por isso, o próximo tópico abordará os espaços dentro do latifúndio que correspondem aos papéis sociais desempenhados pelos grupos da sociedade do açúcar: a casa-grande e a senzala.

Q.I. te conta...

Apesar da maioria dos engenhos produzirem açúcar, alguns engenhos acabaram por se especializar na produção de aguardente. Outros a tinham como um produto secundário, além do açúcar. A razão disso é que a aguardente possuía um elevado valor comercial nas negociações de compra de escravos no continente africano.

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