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Hormônios vegetais

Os hormônios vegetais, ou fitormônios, são substâncias químicas secretadas pelas plantas para auxiliar em seu crescimento ou em resposta a alguma alteração ambiental. Os hormônios vegetais são subdivididos em cinco grupos: auxinas, giberelinas, citocinas, etileno e ácido abscísico.

As auxinas são responsáveis pelo alongamento das células do caule e das raízes, pelo desenvolvimento dos frutos e tropismos. Os tropismos são movimentos orientados das plantas em resposta a estímulos externos. Por exemplo, um movimento induzido pelas auxinas é o fototropismo, onde a planta cresce em direção a luz (caule tem fototropismo positivo enquanto a raiz tem fototropismo negativo). Existem outros tropismos, dependendo da força da gravidade ou da presença de substâncias químicas no meio.

Um dos exemplos mais bem conhecidos é o do girassol, que se movimenta de acordo com a incidência da luz. Isso ocorre porque a auxina estimula o crescimento do pedúnculo da flor apenas no lado oposto da incidência solar, causando seu curvamento. Nas fotos abaixo é possível observar a precisão com que todas as flores estão voltadas para o mesmo lado em uma plantação, não é espetacular?

É possível observar o efeito da auxina em plantas na sua casa. Se houver algum vaso que se encontra em um local escuro, como um quarto, com apenas a entrada de luz da janela, observe que as estruturas da planta estão voltadas para a janela. E, faça o teste! Vire o vaso para o lado contrário e após alguns dias você observará que a planta irá se virar novamente para a janela! E você ainda irá dizer que planta não se mexe? 

As auxinas são sintetizadas no ápice dos caules, nas folhas jovens e nas sementes em desenvolvimento, distribuído para o resto da planta.
As giberelinas promovem principalmente o alongamento da planta (tanto por divisão das células como por seu alongamento), atuam na quebra da dormência das sementes (para que o embrião presente na semente consiga emergir em uma plântula), e atuam na floração e no desenvolvimento de frutos partenocárpicos (formados sem fecundação, somente a partir do ovário, e, portanto não apresentam sementes).

Devido a essas propriedades as giberelinas são utilizadas comercialmente para auxiliar no crescimento de plantas, para agilizar a quebra da dormência de sementes e principalmente para a produção de frutos sem sementes, como uva, maçã e abóbora. Abaixo está uma foto de um cacho de uva sem (à esquerda) e um cacho de uva com (à direita) tratamento com giberelina.



As giberelinas são produzidas nas sementes, no embrião, nas folhas e nos frutos em resposta a variações ambientais como fotoperíodo (dia/noite) e temperatura.

As citocinas retardam o envelhecimento das plantas, e estimulam a divisão celular (citocinese), atuando em conjunto com as auxinas.

Comercialmente, as citocinas são adicionadas na água onde ficam as flores de floricultura, o que faz com que sua senescência (envelhecimento) seja retardada, prolongando o tempo de vida da flor. Por isso que muitas vezes as flores estão lindas na floricultura, mas quando chegamos em casa e colocamos em um recipiente com água elas não demoram muito para morrer.

As citocinas são produzidas principalmente nas raízes e são distribuídas pela planta através do xilema.

O etileno é um hormônio gasoso que promove o amadurecimento dos frutos, senescência de flores e folhas. Atua de forma inversa a auxina. Na senescência ou na presença de estresse ambiental, diminuem os níveis de auxina, aumentam os de etileno, causando, por exemplo, amarelamento e perda das folhas, principalmente no outono.

Esse hormônio eu aposto que você já observou nas frutas da sua casa! Pense na banana, que quando colocada em local fechado, como jornal ou saco plástico, amadurece rapidinho. Isso ocorre porque a banana produz muito etileno, mas, por ser um hormônio gasoso, se dissipa rapidamente. Quando colocamos em um local fechado o hormônio se concentra e promove o amadurecimento mais rápido! Faça um teste com qualquer fruta que esteja verde na presença de uma banana em um saco plástico: a banana secreta tanto etileno que tanto ela quanto a outra fruta amadurecerão rapidamente. Por isso esse hormônio é muito utilizado na indústria, forçando o amadurecimento mais rápido das frutas.

O ácido abscísico induz o fechamento dos estômatos, envelhecimentos e abscisão (queda) das folhas e frutos, inibe crescimento da planta e induz dormência de sementes e gemas, atuando da maneira inversa ao que vimos sobre os outros hormônios. Normalmente está relacionado ao estresse hídrico e pode atuar em conjunto com o etileno.

Em plantas mutantes que não produzem ácido abscísico, as sementes amadurecem prematuramente, como é possível observar na espiga de milho abaixo.

O ácido abscísico é sintetizado nos cloroplastos.

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