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Doenças causadas por Platelmintos: Esquistossomose


A esquistossomose é uma doença causada por uma espécie pertencente ao Filo Plathyhelminthes, a Schistosoma mansoni. Essa doença também é conhecida como barriga d’água, por causa do inchaço no abdômen em consequência do acúmulo de líquido na cavidade abdominal e aumento de tamanho do fígado e do baço. No continente americano, a S. mansoni é a única espécie causadora de esquistossomose, mas em outros continentes, outras espécies do gênero Schistosoma são relavantes para a saúde pública.

O hospedeiro definitivo é o homem, e o intermediário são caramujos do gênero Biomphalaria. O local de parasitismo é o sangue da veia porta hepática, que é um vaso de grande calibre que encaminha o sangue do intestino para o fígado. 






O homem é contaminado quando entra nas chamadas “lagoas de coceira”, que são lagos que abrigam os caramujos hospedeiros, e também a larva cercária livre, que é capaz de penetrar na pele até atingir a circulação sanguínea, alojando-se quando adultas na veia porta hepática. Durante o acasalamento, dirigem-se para as veias da parede intestinal. Os ovos gerados contém um espinho lateral e são capazes de perfurar a parede intestinal, sendo liberados juntamente com as fezes do indivíduo. Quando não há saneamento básico, esses ovos são liberados diretamente em lagoas, açudes e represas, onde o ovo se rompe e libera a larva miracídio, que penetra no caramujo Biomphalaria, onde faz um ciclo reprodutivo assexuado, formando as larvas cercárias. Todo o ciclo desse parasita pode ser observado na ilustração abaixo (siga a espécie S. mansoni, em B), e os diferentes estágios de vida nas fotos acima (não estão em escala).




O interessante é que, ao contrário de outros representantes dos platelmintos, como planárias e tênias, esses vermes não são hermafroditas, portanto os sexos são separados. O macho é robusto e possui um sulco ventral, o canal ginecóforo, que abriga a fêmea durante o acasalamento. Na microscopia eletrônica de varredura abaixo podemos observar a fêmea, em amarelo, e o macho, em rosa. 




Raramente fatal, a doença é caracterizada por fraqueza, fezes e tosse com sangue e principalmente pelo aumento de fígado e ascite (acúmulo de líquidos na região peritonial), causados pela reação imune aos ovos desse verme. O tratamento medicamentoso é simples e a principal medida de prevenção é o saneamento básico, seguida controle dos caramujos hospedeiros, evitar nadar em lugares suspeitos de contaminação e tratamento dos doentes.


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